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A maneira de tratarmos os
animais é um crime ético e uma loucura
Helmut F. Kaplan
Quem
abriu o jornal ou ligou a TV com os comentários que acompanhavam as horrendas
imagens da doença da vaca louca,da peste suína e da febre aftosa, teve a
impressão de que para os animais foi um período especialmente ruim.
Infelizmente, há décadas esse vem sendo o destino diário dos animais:
terror, tortura e morte. Para os animais foi indiferente serem queimados em
vez de consumidos.
A “crise no setor agropecuário” foi significante. Nunca a atitude
discriminatória descarada, brutal e sempre presente da espécie humana se
tornou tão óbvia: seres vivos que sentem dor são torturados e mortos, pura
e simplesmente por pertencerem a uma espécie biológica diferente — e
incapazes de se defender.
Moralmente, essa atitude é tão suspeita quanto a discriminação por raça e
sexo e assume dimensões maiores. Nunca tantos seres humanos foram sistematicamente
massacrados por meios tão horríveis e métodos tão perfeitos como acontece
hoje com animais.
A humanidade se assemelha a um egoísta sem limites, que passa muito bem,
porém se nega a mover uma palha para evitar o sofrimento desnecessário e inimaginável
de outros seres. Nós poderíamos nos alimentar, sem problemas, de forma
vegetariana, mas não queremos, de forma alguma, abrir mão de comer carne.
Este comportamento é moralmente abjeto e, na realidade, míope e ignorante.
Também para nós a produção de carne traz desvantagens: um imenso
desperdício de recursos naturais (com vegetais poderíamos alimentar dez
vezes mais pessoas) e uma devastadora destruição do meio ambiente (poluição
das águas, destruição das matas tropicais, efeito estufa — para citar
apenas alguns efeitos). Isso tudo sem falar das imensas vantagens para a
saúde de quem se alimenta de forma vegetariana.
Gostaria de salientar a monstruosidade moral de nossa atitude em relação
aos animais, lembrando dois fatos:
- Enquanto
procuramos aumentar o bem-estar e o conforto para o ser humano através
de invenções e conceitos cada vez mais sofisticados (carros, navios,
aviões, hotéis e spas luxuosos), trabalhamos com o mesmo empenho na
automação e no aperfeiçoamento das máquinas que exploram e executam os
animais.
- Enquanto
levamos pessoas doentes de ambulância com sirena para o hospital,
espancamos animais doentes com bastões de ferro e choque elétrico para
levá-los ao matadouro.
Como
antes não havia muita divulgação da brutalidade dos maus tratos de animais,
o conhecimento dessa brutalidade era reduzido. Quem continua, hoje, comendo
carne, não desconhece o sofrimento animal, mas não quer saber dele ou não
se incomoda com ele.
Também é espantoso e triste, que tantas pessoas deixam hoje de se alimentar
com carne, unicamente por motivos de saúde e tão poucas deixam de comer
carne por motivos éticos. Isso não é um bom sinal. Leo Tolstoi dizia que ”enquanto existirem matadouros,
existirão campos de batalha”. Esta frase se torna cada dia mais
real. Quanto mais a pessoa sabe a respeito de um crime que ela tolera, mais
brutal e potencialmente perigosa ela se torna. Qualquer um pode parar de
comer carne e, desta forma, dar aquele passo que o transforma de cúmplice
no crime em uma pessoa afetuosa.
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Helmut F. Kaplan, filósofo e
autor, é um dos pioneiros no movimento de defesa dos animais.
www.vegetarismus.org/kaplan
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